Orientação

Orientação é um Desporto recente em Portugal, mas tem já 100 anos de existência enquanto desporto organizado.

Com efeito, terá sido em Bergen – Noruega , no ano de 1897, que se organizou a primeira actividade desportiva de Orientação. Os países nórdicos são ainda hoje, aqueles onde a modalidade tem maior implantação, mobilizando um número de praticantes que coloca a Orientação entre os cinco desportos mais praticados na Escandinávia. A maior prova do mundo realiza-se anualmente na Suécia, “5 dias da Suécia”, com um número record de 25 000 participantes.

Orientação é uma das modalidades desportivas que mais tem crescido nos últimos anos em Portugal! A competição concilia-se com o lazer, num espaço que proporciona um permanente contacto com a Natureza. Cada pessoa escolhe o seu ritmo em função dos desafios que determinou, encontrando-se consigo mesma e, simultaneamente, permitindo conhecer novas pessoas, fazer novos amigos.

Na partida, cada praticante recebe um mapa onde estão marcados pequenos círculos que correspondem a pontos de controlo, materializados no terreno pelas “balizas” (prismas de cores laranja e branca), que estão acompanhadas de uma estação electrónica (e/ou um pequeno picotador).

Introduzindo o  seu identificador (ou picotando o seu cartão de controlo) o praticante comprova a passagem por cada ponto.

A escolha do itinerário entre cada ponto de controlo é uma opção do próprio praticante! Cada ponto é uma meta e, simultaneamente, a partida para um novo desafio. Cruzando prados, ribeiros e florestas, o praticante sente-se parte integrante do espaço que percorre… A velocidade de movimento tem que ser acompanhada pela velocidade de raciocínio para ler o mapa e interpretar a relação mapa / terreno, ponderar sobre as várias opções de itinerário, decidir!

As provas do calendário da Federação Portuguesa de Orientação são abertas a todas as pessoas de qualquer idade, havendo sempre percursos para principiantes (fácil curto e fácil longo). A distância e a dificuldade dos percursos de Orientação variam em função da idade e do nível técnico dos praticantes, possibilitando a participação dos sete aos noventa e sete anos…

 

O Terreno e os Mapas

terreno “tradicional” para a prática da modalidade deverá ter muitos pormenores do relevo, ter flore

sta limpa e pouca vegetação rasteira. No entanto, a Orientação pode ser praticada em qualquer lugar desde que exista um mapa dessa área. As provas em parques / jardins e mesmo em áreas urbanas das cidades são cada vez em maior número e com grande adesão.

Embora seja possível praticar Orientação em praticamente todos os tipos de mapas, é muito mais interessante utilizar mapas criados exclusivamente para a Orientação. Esses mapas são precisos e detalhados e estão preparados para uma “escala humana”, ou seja, o terreno e as características que aparecem no mapa são aquelas que uma pessoa, ao mover-se nessa área, observa facilmente.

Os mapas de Orientação são elaborados de acordo com as normas internacionais da modalidade. Para a competição, os mapas usados são normalmente com escalas de 1/10 000 ou 1/15 000, usando-se, contudo, escalas maiores, entre 1/2 000 e 1/5 000, para actividades de iniciação e / ou promoção.

 

Legenda – A linguagem do mapa

legenda

Para que o mapa seja simples de ler e facilmente compreensível, várias cores e símbolos são utilizados.
Não é possível representar no mapa todas as características e objectos do terreno, uma vez que teria demasiados pormenores e tornar-se-ia difícil de ler. Os símbolos utilizados num mapa representam, tanto quanto é possível, as características do terreno.

Uma boa regra quando se observa um novo mapa é começar por estudar a legenda, que contém os símbolos utilizados e a sua descrição.

A simbologia existente na legenda dos mapas de Orientação, permite que qualquer pessoa, indepen­dentemente do seu país de origem, possa ler qualquer mapa. Uma vantagem destes mapas é que os símbolos, cores, escalas, espessura das linhas, etc., respeitam uma norma mundial. Esta simbologia é determinada pela Federação Internacional de Orientação (International Orienteering Federation – I.O.F.).

Outra vantagem destes mapas é que, normal­mente, estão à escala 1:10.000 ou 1:15.000. Isto significa que contêm bastantes detalhes, o que se torna bastante útil a quem os utiliza para a prática de Orientação Pedestre.

As seguintes cores são as utilizadas em mapas de Orientação:

  • CASTANHO temos tudo o que está relacionado com diferenças de altitude: cumes, ravinas, depressões, pontos de cota, etc;
  • As áreas a BRANCO representam Floresta Limpa (árvores mas sem vegetação rasteira);
  • AMARELO representa áreas abertas: campos abertos, clareiras, etc;
  • VERDE representa áreas ou objectos relacionados com vegetação;
  • A AZUL aparecem as áreas ou objectos relacionados com água;
  • PRETO é a cor com utilização mais diversa e representa variados objectos e características do terreno, geralmente artificiais ou rochosos: estradas, caminhos, linhas de alta-tensão, edifícios, rochas e precipícios.

 

O Percurso de Orientação

Um percurso de orientação é constituído por uma partida, uma série de pontos de controlo identificados por círculos num mapa, unidos por linhas rectas e numerados na ordem pela qual devem ser visitados e por uma meta. Os círculos dos pontos de controlo têm como centro o objecto ou a característica de terreno que tem de ser encontrada. Existe uma sinalética que define a natureza desse objecto ou característica.

Para provar que um ponto de controlo foi visitado, no sistema tradicional, o orientista utiliza um sistema de perfuração (picotador, também conhecido por ‘alicate’) que se encontra junto à baliza, para “picar” o cartão de controlo. Cada alicate faz um padrão de furos diferente. Nas provas oficiais da FPO é utilizado um sistema electrónico, que consiste num pequeno “chip” que é transportado pelo atleta num dedo, que permite registar a sua passagem pelos pontos de controlo que contêm pequenas estações electrónicas de controlo.

Num percurso tradicional de orientação, terão de ser visitados todos os pontos de controlo na ordem definida sob pena de desclassificação.

O trajecto a seguir entre cada ponto de controlo não está definido, sendo decidido por cada participante. Este elemento de escolha do percurso e a capacidade de se orientar através da floresta, são a essência da orientação.
A maioria das provas de orientação utiliza partidas intervaladas para que o orientista tenha a possibilidade de realizar as suas próprias opções. Mas existem muitas outras formas, incluindo estafetas, provas de score, etc.

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A Sinalética

Dá-nos alguma informação mais detalhada relativamente à natureza e localização exacta do elemento onde se encontra a baliza.

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As Disciplinas de Orientação

As diferentes formas de prática de Orientação relacionam-se com os meios de locomoção utilizados ou ainda com o meio em que se desenvolve a actividade. A Federação Internacional de Orientação (I.O.F.) reconhece e desenvolve quadros competitivos em 4 disciplinas: Orientação Pedestre, Orientação em BTT, Orientação em Ski e Trail-Orienteering (vocacionada para deficientes motores).
A Federação Portuguesa tem calendários oficiais de provas das vertentes Pedestre e BTT, para além de uma nova forma intitulada Corridas Aventura, que mistura diversas vertentes de Orientação em provas de longa duração.
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Sistemas de Controlo

Para que os atletas possam comprovar a sua passagem nos pontos de controlo do percurso de Orientação existe um sistema manual que é o Cartão de Controlo no qual são registados picotados com os alicates colocados nos pontos e dois sistemas electrónicos designados por Sportident e EMIT.

Sistema Manual – O Cartão de Controlo

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Os cartões de controlo podem ter diversos formatos, mas todos incluem quadrados numerados para a picotagem nos sucessivos pontos de controlo, assim como espaços para o nome do participante, o percurso, o escalão, as horas de partida e de chegada, e o tempo de realização do percurso.

As provas de orientação tradicionais são corridas ponto-a-ponto, ou seja, os pontos de controlo estão numerados no mapa e unidos por uma linha recta na ordem pela qual devem ser visitados. Quando encontra um ponto de controlo, o orientista utiliza o alicate aí existente para perfurar o cartão de controlo no quadrado correspondente. Isto permite aos organizadores verificar se foram visitados os pontos de controlo correctos.

Sistema Electrónico – SPORTident

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Nas provas oficiais da FPO é utilizado um sistema electrónico (denominado SPORTident), que consiste num pequeno “chip” (Sportident) transportado pelo atleta, que permite registar a sua passagem pelos pontos de controlo que contêm pequenas estações electrónicas de controlo onde o atleta deverá introduzir o Sportident.

Após terminarem a prova os atletas inserem o Sportident numa estação electrónica ligada a um

computador que produz imediatamente uma folha com o resultado do atleta (incluindo tempos de passagem nos pontos). Este computador produz automaticamente os resultados por escalão, simplificando bastante o processo de controlo dos atletas e produção de resultados.

Os participantes podem alugar um Sportident nas provas em que participam ou adquirir um, o que compensa para orientistas regulares.